'É o café, é o café', repetia ela olhando para os lados, era dificil conduzir uma vida toda só pensando que a culpa era do café, mas nao era, vivia em um mundo só dela e ao sair via-se que era diferente, que tinha que continuar.
Tinha uma grande angustia dentro do peito, uma insana vontade de sair correndo daquele escritório onde perdia metade de sua vida arquivando, sim era o que ela fazia, arquivar, nada era mais tragico aos 23 anos do que trabalhar no meio da poeira, sair para casa e pensar no próximo dia.
No começo ela achou aquele trabalho um bom motivo para esquecer que aos 20 anos nao tinha terminado a escola, nao tinha uma profissão e nunca havia trabalhado, começou.Nao era tao ruim, ela ficava o dia todo em uma sala arquivando sobre a vida alheia, e achava consigo mesma que a vida de cada pessoa naquela pasta tinha mais sentido que a dela.
Muita das vezes tinha em mente algo muito melhor e até pensou em seguir uma profissão, virar arquiteta?Turismo?Queria sair e conhecer a vida que nela nao havia motivos.
Chegou a pensar que aos 23 anos acabaria assim, sozinha.
17 de junho de 2009
