E no ultimo instante, tal como um pressagio ela já sabia o que iria acontecer, então repetia insistente:
- Pode deitar agora, aqui.
E o mal já havia sido feito, agora escorria dela um denso liquido contido de sentimentos e traduzido como sangue, e então ela repetia:
- Pode deitar aqui, tudo vai ficar bem, é apenas o fim.
E ela se virou para pensar no que seria o fim, o que seria?
Seria aquele corte atualmente profundo o suficiente para sufocar seus planos, visões, então em mais um sussurro foi feito um pedido de misericórdia, 'não fique parado, apenas o fim, apenas o fim, esfaqueie!'.
- Pode deitar agora, fica até quando puder ficar, são só meus planos, meus planos, é o coração aqui, é o sangue que te faz fugir, pode deitar aqui.
Então ela se levantou, se vestiu e disse num tom de suplica e carinho 'vamos embora?mas não se esqueça do final, é apenas o fim'.
E ele a acompanhou ao seu destino, seu plano, e ela repetia 'esfaqueie, são só planos, é só sangue aqui'.
Em fraçoes de segundos ela já não tinha planos, o sangue agora era a mistura de passos e poeira, ele atendeu seu pedido dando a misericórdia final, a faca foi usada mais uma vez.
Só se ouvia sua voz doce dizendo o que ele nunca mais poderia esquecer, são planos e é apenas o fim.
23 de junho de 2009
